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Brasil perdeu no futebol e na ciência

julho 9, 2014
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102 a zero. Esse é o placar de prêmios Nobel entre Alemanha e Brasil. E enquanto brasileiros lamentam a derrota, ninguém se importou com a conquista de não uma, mas CINCO medalhas nas olimpíadas internacionais de Astronomia  e Astrofísica no ano passado.

E o qué que o cu tem a ver com as calças? Não sei. Fazer esse tipo de comparação acaba sendo na minha opinião uma forçação de barra de fanboy científico que não se dá conta das complexidades da sociedade.

O leitor agora fica confuso. Qual é a posição que defendo, afinal de contas? Talvez alguns até leram somente a primeira frase e o título, e já saíram compartilhando. É aí que eu jogo um balde de água fria e digo: vamos com calma que as coisas são bem mais complicadas.

Primeiro, vamos separar as coisas. Está rolando um torneio esportivo organizado por uma organização bilionária européia envolvendo outras empresas cheias da grana, como costumam ser empresas relacionadas ao entretenimento. Uma das regras é que essas empresas só podem colocar em suas equipes membros do mesmo país que cada empresa representa. A CBF, empresa, só pode colocar brasileiros em seu time. Isso permite que o ânimo esportivo se confunda e se mescle com patriotismo e nacionalismo, muitas vezes em doses saudáveis, outras nem tanto.

Uma dessas empresas, a CBF, fez algumas escolhas ruins, ou deixou de fazer algumas escolhas boas, que resultou em um placar muito engraçado e surpreendente no jogo de ontem, sete contra um. Coisa que ninguém esperava. Eu assisti a esse jogo, pois gosto de assistir jogos de copa do mundo e algumas outras decisões de torneios importantes. E sim, torço pela seleção que representa o meu país.

Dito isso, essa derrota não foi “culpa” do jeitinho brasileiro, da cultura brasileira. Também não foi culpa da Dilma, nem do Aécio. Não foi culpa dos black blocs, nem dos coxinhas reaças. Talvez tudo ou nada disso tenha influenciado a performance dos jogadores em campo, mas longe de existir um único culpado. E até essa coisa de procurar um culpado, não para tentar melhorar, mas para apontar o dedo e acusar, me dá uma preguiça…

Agora vamos ao outro ponto. Os Nobel. A Alemanha tem uma história em ciência. Já existia grande produção acadêmica alemã enquanto o Brasil ainda era posse de Portugal. A cultura de produtor de matéria bruta permaneceu, mas a coisa vem mudando. Ainda há, é claro, uma grande defasagem. E muita coisa  a ser melhorada. Mas o simples fato de que você está lendo este texto e pensando a respeito já mostra que não somos apenas um monte de analfabetos ignorantes. E não me venham com o “não ligamos para ensino e a ciência”. Talvez sejamos imaturos em ensino e ciência, mas tem um número grande de pessoas, dentro e fora do governo, dedicadas a melhorar esse quadro. Muitas vezes as opiniões do que seria uma medida eficaz são divergentes, o que pode atrasar um pouco as coisas, mas faz parte.

Aqui preciso enfatizar: NÃO ESTOU DIZENDO  que não exista corrupção, gente safada, uma imagem distorcida da ciência, entre vários outros problemas. Mas estou dizendo que algo está sim sendo feito. E, se você é um dos pessimistas, eu te digo: se não quer ajudar, não atrapalhe.

Agora sobre as medalhas da olimpíada que “ninguém dá a mínima”. Na boa, eu não dou tanta importância assim. A história pessoal de meninos pobres que conseguiram mudar de vida através do esporte me emociona muito mais do que a de crianças que estudaram em colégios caros e puderam decorar um monte de informações (muito legais, na minha opinião). Não desmereço o segundo caso, acho que eles merecem todos os parabéns do mundo, e que venha vários ouros! Mas são situações inteiramente distintas. Além disso, eu acho uma partida de futebol e de vôlei muito mais emocionante que um concurso de soletrar ou um quiz de conhecimentos matemáticos. Eu poderia pagar para ir num evento esportivo, mas dificilmente eu iria, nem se me pagassem, assistir uma competição de conhecimentos.

Sobre reclamar que o Brasil é uma merda porque pessoas gostam mais de futebol que de ciência, é tipo comparar banana com heavy metal. São assuntos de domínios diferentes, a comparação é infantil, para não dizer patética.

Acho que meu momento de xingar tudo no twitter blog termina aqui. Mas enfatizo que posso estar falando merda. Então se você discorda ou tem algo a acrescentar, você é bem vindo nos comentários. Talvez eu mude de opinião, talvez você  mude de opinião, talvez ninguém mude mas passamos a entender melhor o ponto de vista um do outro. Então manda ver.

4 Comentários leave one →
  1. amandag89 permalink
    julho 9, 2014 7:37 pm

    Se tu tens razão ou não, vai saber né?
    Mas acho que ha quem se interesse pelos dois, obviamente que futebol comove multidões, talvez até pela visibilidade e marketing(Sim, o povo do marketing tem o poder de deixar até um discurso do Putin pra lá de bombado, não duvide deles), porque o brasileirão anda bem mea boca.
    Falta aos cientistas tantas coisas, que nem sei por onde começar, mas até que nos viramos bem com o que temos né?
    Como Colorada e Cientista, torço pelo sucesso das duas coisas e que os cientistas tenham mais espaço,que tenham mais paciência e cautela ao falar em artigos, programas( e que não deixem os pseudocientistas falarem do que não sabem), perdemos tantas chances de cativar e mostrar que ciência faz parte do dia a dia, da sociedade, quebrar esse mito que cientista é um louco que só faz coisas incompreensíveis.
    E se eu to certa ou não também, vai saber, vai saber….

  2. julho 9, 2014 9:40 pm

    Eu gostei do texto, pois vai mais profundo do que outro texto que vejo na internet. Eu penso, existe um apelo emocional muito grande sobre o futebol em nosso país que exalta demasiadamente,ao meu ver, isso prejudica muito o nosso país. O futebol é uma forma de entretenimento e não devemos coloca-lo em um nível acima disso. Então, temos muito trabalho e mãos à obra para a construção do saber científico que ainda, infelizmente, é precário no Brasil. Ah só palpite: eu acho a seleção perdeu por fatores psicológico emocionais.

    • D-Dimensões permalink*
      julho 9, 2014 10:03 pm

      Não sei se o apelo é tão exagerado assim. Na Alemanha, durante a copa de 2010, eu estava lá. E acho que a empolgação deles era tão grande quanto a nossa. Ingleses, terra de Oxford e Cambridge, temos hooligans, fanáticos violentos por futebol.
      Mas, se for mesmo exagerado, concordo com você que pode prejudicar. Qualquer ideia defendida muito apaixonadamente pode gerar problemas.
      E concordo sobre os fatores psicológicos. A seleção da Alemanha tinha psicólogos com eles, além de instrutor de ioga para relaxar os jogadores. Isso pode ter feito a diferença.

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