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Einstein possivelmente estava errado!

junho 28, 2014
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Existem várias definições para o que é ciência, ou “fazer ciência”. Uma que eu gosto é “tentar descrever fenômenos”. No caso da física eu gosto de definir como essa que achei aqui:

Física é a ciência natural baseada em experimentos, medições e análises matemáticas com o propósito de encontrar leis físicas quantitativas para tudo desde o nanomundo do microcosmos até os planetas, sistemas solares e galáxias que ocupam o macrocosmos.

“Leis físicas quantitativas” quer dizer que podemos (ou pelo menos tentamos) descrever o mundo utilizando números. Outras ciências descrevem o mundo usando outras técnicas, e dependendo do caso até se saem melhor. Por exemplo, na hora de tentar entender o comportamento daquela planta, porque você está vomitando ou porquê a Dilma escolheu esse ou aquele ministro, seja melhor pedir ajuda a botânicos, médicos ou cientistas políticos.

Dentro da física, existem diferentes leis e teorias, que podemos usar para descrever os fenômenos, cada uma mais adequada para alguma situação. Por exemplo, a mecânica de Newton e a mecânica de Einstein são contraditórias, e hoje sabemos que a de Einstein está “mais correta”. Mas a mecânica de Newton ainda é usada para descrever movimento de cometas ou colisões de carros. Simplesmente porque a diferença das duas só começa a se fazer perceptível quando as velocidades envolvidas são muito altas ou as massas dos objetos muito grandes. Por mais que as teorias de Newton tivessem algumas afirmações incorretas (por exemplo, a respeito da passagem do tempo), elas são robustas o suficiente para descrever um bocado de fenômenos até hoje.

E a relatividade de Einstein? Possui afirmações incorretas? Muitos físicos podem respondam a essa pergunta com um “possivelmente sim”. Vários são os motivos. Primeiro, historicamente nenhuma teoria conseguiu ser “A definitiva”, e muitos físicos acreditam que essa “Teoria de Tudo” talvez nunca seja encontrada. Segundo, existem alguns fatos que não são bem explicados pela relatividade de Einstein. Uma possibilidade é que alguma das afirmações feitas na construção da teoria (por exemplo, a constância da velocidade da luz) esteja incorreta. Além disso, uma outra teoria que funciona maravilhosamente bem para explicar muita coisa do que acontece no mundo subatômico, a teoria quântica, é incompatível com a relatividade. Então necessariamente ao menos uma está pelo menos em parte incorreta (possivelmente as duas estão).

einstein errou

E, na real, estamos doidos para que isso aconteça. Que consigamos encontrar uma falha em alguma dessas teorias, e principalmente, que consigamos corrigir a falha com algo que funcione ainda melhor. E isso é parte da definição do que é fazer ciência. Se não houvesse mais nada a ser descoberto ou explicado a diversão acabaria.

O problema ao meu ver é que a forma com que descobertas científicas são divulgadas, intencionalmente ou não, acaba fazendo duas coisas que abomino:

  1. Enfatiza o mito e o gênio. Sem dúvida Einstein, Newton, Gauss, Maxwell, Heisenberg e outros foram geniais. Mas sem outros para consolidarem ou reforçarem suas teorias, talvez cairiam facilmente ao esquecimento. Ciência é algo coletivo. Sem outros anteriores a cada um deles, talvez eles não teriam chegado a suas conclusões. O mito é importante para o incentivo e a referência, mas pode acabar mistificando demais a ciência, colocando-a nas mãos de uns poucos “gênios”.
  2. Trata o erro como algo indesejado. Como eu já disse, QUEREMOS achar erros (principalmente na teoria dos outros). Isso não enfraquece a física, pelo contrário. Se uma determinada teoria conseguiu explicar cem mil experimentos com sucesso, ela não se torna um fracasso quando falha ao explicar o experimento #100.001. Só faz com que procuremos melhorá-la.

Algo que costuma acontecer também com bastante frequência é alguma descoberta ou experimento não contradizer alguma teoria e mesmo assim algum físico ou jornalista achar que contradisse. Isso aconteceu por exemplo quando um grupo de físicos supostamente teria violado o princípio da incerteza de Heisenberg, uma das bases da física quântica (aqui e aqui).

Concluindo, na próxima vez que se depararem com alguma notícia do tipo “Einstein/Heisenberg/Feynman/Lemaitre errou”, tenham em mente que se for mesmo verdade (o que é provável que não), isso é bom. A nova descoberta não torna o trabalho feito até agora em vão, não desperdiça seus impostos investidos em ciência, e não torna necessário tacar fogo nos livros já impressos. Se alguma teoria durou por muito tempo, é porque ela funciona bem para muitas coisas. E que venha algo melhor!

E você? O que acha? Deixe seu comentário para continuarmos a discussão!

8 Comentários leave one →
  1. Thyago permalink
    junho 29, 2014 12:08 pm

    Totalmente pertinente é ter essa noção é fundamental para qualquer entendimento da ciência. Difícil é convencer alguns disto.

  2. Rafael permalink
    julho 4, 2014 12:58 pm

    Poxa vida, só mesmo quem não conhece nada de ciência acha que ela é/deveria ser infalível. O principal avanço da ciência foi produzir um conhecimento falseável. Ora, não teria a menor graça se nunca se provasse nada como falso, né? Rs! Ademais, essa notícia só causa espanto pq não são muitas pessoas que sabem como é a dinâmica da ciência. Eu curso psicologia (calouro) e posso lhe garantir que, da minha turma, uns 3 ou 4, no máximo, tem uma boa ideia de como se produz ciência.

    • D-Dimensões permalink*
      julho 9, 2014 11:24 pm

      OI Rafael. Eu cada vez me interesso mais por esse assunto, o “fazer ciência”. Concordo que nosso ensino é em geral bem carente nesse ponto. Alunos chegam no curso superior sem ter ideia do que um cientista faz. Mas as vezes mesmo o cientista pode se tornar meio cego dos detalhes (principalmente os ruins) de seu meio profissional. Por exemplo, fatores sociais acabam afetando muito a construção científica. Preconceitos e birras estão presentes, e bem mais do que gostaríamos. Mesmo assim, eu ainda prefiro esse método de saber, com suas falhas, do que algum outro existente.

      • Rafael permalink
        julho 20, 2014 10:38 am

        Nossa, isso é verdade e é muito sério. Às vezes dá vontade de sair em escolas divulgando como se faz ciência. O medo é fazer isso de uma forma tão ruim que o tiro saia pela culatra e desmotive mais ainda os jovens alunos.

  3. julho 7, 2014 7:26 am

    Gostei do texto. Reforça algo importante nos dias de hoje, pois diante de tantas palestras motivacionais, em que se incentiva a necessidade de sermos competentes, disciplinados, metódicos, o que é muito válido, alguns ainda podem interpretar mal e acharem que devemos nos mostrar sempre perfeitos e infalíveis em qualquer trabalho, seja técnico ou de investigação científica. Temos sim que procurar evitar ao máximo os erros, mas em hipótese alguma tentar disfarçá-los ou escondê-los, com a finalidade de nos mostrarmos melhores ou mais competentes do que os outros. Isso, em alguns casos, pode ser até muito perigoso. Em determinadas ocasiões, os erros podem ser fatais e apresentarem consequências graves, como por exemplo quando um viaduto ou uma ponte despenca do nada, devido a uma falha nos cálculos dos projetistas, ou em outros casos, por errarem na forma como são feitos os procedimentos de acompanhamento e vistorias nos testes e materiais usados nas obras, o que deveria ser cobrado pelas equipes designadas pelos políticos governantes responsáveis, que infelizmente estão mais ocupados em calcular quanto iram superfaturar nas obras, usando prazos e materiais inadequados, do que pensando na segurança, mas isso é outra história.

    No caso da ciência, sabemos também, por exemplo, só para citar um em tantos casos históricos, que o erro de interpretação a respeito da nossa posição no universo, foi muito usado inclusive para matar pessoas que discordavam do modelo imposto, como foi o caso da Inquisição, defendendo por séculos e com unhas e dentes o geocentrismo.

    Hoje em dia, acredito que o que fala mais alto em ciências é a busca pela reputação e consequentemente pelo dinheiro. Contestar Einstein ou qualquer outro gênio significa atrair os holofotes e aumentar a visibilidade de um certo grupo de pesquisadores ou Universidade. Lembrem-se do caso dos neutrinos que pareciam viajar à velocidade maior do que a da luz. Tudo bem, alguns dirão, eles cometeram um erro, isso é normal mas como se trata de uma questão central da Física, envolvendo um pilar básico da TR de Einstein, já era previsto que eles teriam seus dias de fama momentânea.

    • D-Dimensões permalink*
      julho 9, 2014 11:19 pm

      Muito obrigado pelo longo comentário.
      Concordo com você. Assumir erros deveria ser mais comum. E sobre os neutrinos, eu também sou da opinião que foi uma tentativa de colocar o laboratório deles nos jornais, a qualquer custo.
      Outra coisa que vejo pouco é a honestidade, tanto de cientistas, professores, profissionais de qualquer área, para dizer “não sei isso”. Justamente relacionado com isso que você falou. Vejo professores que preferem mentir a ter que responder com um simples “não sei” ou “não estou lembrado”. E isso é triste.

  4. agosto 25, 2014 3:55 pm

    Também concordo que Einstein estava errado, pois não acredito na colisão entre fótons e elétrons explicada na famosa teoria do efeito fotoelétrico.

    Através de um simples experimento de ondas de rádio, pude verificar que não é necessário um fóton para produzir uma corrente elétrica.

    A onda eletromagnética, em qualquer frequência, simplesmente induz um corrente elétrica no átomo.

    O efeito fotoelétrico é na verdade apenas indução eletromagnética !!!

  5. dezembro 26, 2016 5:22 pm

    então vamos a caça dos erros para melhorar estas Teorias e acho que tem um erro na explicação do buraco negro,pois todas falam da materia de cai no buraco negro e se esquecem que a materia escura que tanto falam e que atravessa tudo, então se a materia escura atrae a materia barionica então esta materia escura tambem deve cair no buraco negro e nenhum cientista fala nisso porque?

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