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Em uma galáxia muito muito distante…

outubro 24, 2013

…as estrelas pipocam.

Nesta semana saiu mais uma notícia sobre a descoberta de uma galáxia distante, a mais distante já registrada. Pelas minhas contas achei que uma de 2010 era ainda mais distante. Mas de qualquer forma, tanto faz qual a mais distante (e portanto mais jovem), elas compartilham algo em comum.

UPDATE: Acabei de olhar o artigo original recente da Nature. A de 2010 é mais distante. O artigo deste ano não alega que essa é a mais distante já encontrada. Os jornais fizeram a cagada o favor de, mais uma vez, adicionar coisas por conta própria.

UPDATE 2: Falha minha. Agradeço ao Salvador Nogueira por chamar minha atenção para o fato de que o resultado de 2010 ainda é controverso, e não ter sido verificado por outros grupos (por exemplo este outro grupo olhou para a mesma região e não confirmou a linha do espectro que indicaria o redshift encontrado pelos autores de 2010).

Lembrem-se que olhar para longe significa olhar o passado. A luz, por ter uma velocidade finita (embora muito grande) demora um bom tempo para percorrer a distância entre o objeto que a emite e nossos telescópios. Por exemplo, a luz emitida na superfície sol demora cerca de 8 minutos para chegar aqui (a produzida no interior demora algumas centenas de milhares de anos para sair, mas essa é outra história).

A luz que chega dessas duas galáxias foi emitida quando o nosso universo tinha apenas cerca de 600 milhões de anos! Comparando com a idade atual de 13,8 bilhões de anos, isso é muito tempo atrás. Se o universo fosse um velho de 80 anos de idade, estamos vendo essas galáxias tal qual elas eram num universo criança de 4 anos.

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Sabemos a idade porque quando observamos a galáxia percebemos um redshift, isto é, o espectro da luz está desviado para o vermelho. Sabemos que isso acontece num universo em expansão, que isso obedece a lei de Hubble (isto é, quanto mais longe a galáxia, maior o desvio para vermelho), e calculando para o nosso universo obtemos esse valor de aproximadamente 600 ou 700 anos.

Alguém pode se perguntar: “mas nessa época já existiam galáxias? Isso não está em conflito com a teoria do big-bang?” E a resposta é muito interessante. Não, não está. Pelo contrário, isso está em pleno acordo. Modelos astrofísicos atuais falam que a partir dos 400 milhões de anos do universo galáxias podem começar a se formar. Só que essas galáxias primordiais não são exatamente como as nossas galáxias próximas (inclusive a nossa via láctea), cheias de estrelas já bem formadas, e com pouco gás ao redor. Elas são grandes punhados de gás quente colapsando por sua própria gravidade. Punhados menores dessas nuvens de gás são o que dão origem às estrelas. E se você tem muito gás, você tem muita formação de estrelas.

Então se espera que essas galáxias antigas tenha uma alta produção de estrelas, ao contrário das galáxias próximas, velhas. E é exatamente isso que é observado. O espectro dessa galáxia observada essa semana (e de outras galáxias distantes, observadas anos atrás) indica que a produção de estrelas é altíssima, em perfeito acordo com uma história evolutiva do universo.


ResearchBlogging.org
S. L. Finkelstein, C. Papovich, M. Dickinson, M. Song, V. Tilvi, A. M. Koekemoer, K. D. Finkelstein, B. Mobasher, H. C. Ferguson, M. Giavalisco, N. Reddy, M. L. N. Ashby, A. Dekel, G. G. Fazio, A. Fontana, N. A. Grogin, J.-S. Huang, D. Kocevski, M. Rafelski, B. J. Weiner, & S. P. Willner (2013). A galaxy rapidly forming stars 700 million years after the Big Bang at redshift 7.51 Nature, 502, 524-527 DOI: 10.1038/nature12657


ResearchBlogging.org
M. D. Lehnert, N. P. H. Nesvadba, J.-G. Cuby, A. M. Swinbank, S. Morris, B. Clément, C. J. Evans, M. N. Bremer, & S. Basa (2010). Spectroscopic confirmation of a galaxy at redshift z = 8.6 Nature, 467 (7318), 940-942 DOI: 10.1038/nature09462

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